Vamos conquistar as estrelas

Nós queremos conquistar as estrelas, eu vi num filme.

Meu corpo envelheceu. A flor da minha mesa está morta. Perdi 9kg esses meses, como o doutor pediu.

E se eu cortasse o meu braço? Um braço cortado não sou mais eu – peso perdido. A morte é como cortar o braço, é tornar uma parte de você não-você – a diferença é que você cortou a última parte.

Perdi 9kg, 9kg que não sou mais eu. Estou morrendo?

Eu não me espantaria se alguém dissesse que framboesa não nasce em árvore – eu realmente não sei.

Queremos conquistar as estrelas, eu vi num filme, mas para que? Eu nunca vi nem uma árvore de framboesas! Tem gente que busca planetas habitáveis em outras estrelas. Parece que todos estamos condenados a foder com esse aqui, então achar nossa rota de fuga é a ordem do dia.

Vamos fugir dos nossos problemas. Da Terra. Da vida. Vamos posar para a foto. Vamos tirar a selfie e dar um sorriso preciso, meticulosamente ajustado no visor do celular. Vamos viver a vida dos outros, e os outros vão viver a nossa – então que pareça boa, mesmo que não seja.

Mas a minha é, por acaso. Por acaso, como em um jogo de dados. Viver a vida real é uma realização constante dos meus privilégios, de como tirei o duplo 6.

Eu tenho muitas coisas que não preciso. A flor da minha mesa. Ela precisava de mim, eu não precisava dela, então a deixei morrer.

Sem aquilo que precisamos, não sobrevivemos. Preciso da água, do pão, da cama e do teto. Mas nada disso vai fazer minha vida valer a pena.

Ainda, a flor. Ela valia a pena.

Queremos conquistar as estrelas, e conhecer novos mundos. O mundo é tão pequeno – alguém disse. Tem avião, tem carro, tem internet.

O mundo é pequeno, disseram. Bom, o box do meu banheiro é pequeno: eu preciso abrir o registro, esperar a água esquentar, fechar o registro para não espirar água no banheiro todo e só depois entrar no box, caso contrário a água gelada atingiria minha pele nua sem que houvesse no box espaço para que eu desviasse do jato.

O meu box é pequeno, mas o mundo é infinito. Pode-se chegar a qualquer lugar do mundo em poucas horas, é verdade. Mas é uma ilusão, um truque. As distâncias parecem curtas porque estamos ignorando tudo no caminho.

Distâncias são unidimensionais. O mundo é multidimensional.

Pode-se ir a qualquer lugar em um dia, mas não se pode ir a todos os lugares em mil vidas. E quando chegasse ao último, o primeiro já será outro, que ainda não viu.

Somos bilhões de humanos, e vamos morrer sem conhecer nem mesmo a nós próprios.

O mundo é infinito e as estrelas são infinitas. Vamos conquistar as estrelas! Mas antes, alguém me diz: como chama a árvore da framboesa?

 

diegoquinteiro

Meu nome é Diego Moreno Quinteiro, tenho 29 e moro em São Paulo, cidade que amodeio. Gosto de escrever, de colocar vírgulas e de não ligar pra ortografia – então fiz um blog.

 

Warning: require_once(/home/wp_24se69/diegoquinteiro.com/wp-content/themes/casper-master/footer.php): failed to open stream: Permission denied in /home/wp_24se69/diegoquinteiro.com/wp-includes/template.php on line 688

Fatal error: require_once(): Failed opening required '/home/wp_24se69/diegoquinteiro.com/wp-content/themes/casper-master/footer.php' (include_path='.:/usr/local/lib/php:/usr/local/php5/lib/pear') in /home/wp_24se69/diegoquinteiro.com/wp-includes/template.php on line 688