Somos todos… racistas

Se você, assim como eu, tem uma vida completa com todas as suas necessidades satisfeitas, talvez você queira lutar pela causa dos outros.

Isso é mais do aceitável e desejável: é sua responsabilidade. Porém, no meio do caminho, você pode as vezes tropeçar e, pior, cair em cima de alguém.

Todos nós vimos o que aconteceu na última semana: Daniel Alves comeu uma banana, gente bem intencionada comeu bola e gente canalha ganhou dinheiro com isso. Não vou me dar ao trabalho de explicar por que, afinal, não somos macacos e não é legal dizer somos macacos num país tremendamente racista como o nosso.

A única coisa legal seria aproveitar o momento para ouvir o que os negros tem a dizer sobre a realidade do racismo no Brasil. O que é exatamente o oposto de criar uma campanha publicitária que diga para combatermos o racismo ignorando sua existência. Como aquele seu coleguinha de escola que te incomodava todo dia, mas sua professora dizia para não dar bola, o racismo também não deixa de existir se simplesmente fingirmos que ele não existe.

Mais importante do que saber se suas atitudes na luta pela qual você tomou partido são corretas, é saber disso através das pessoas que são atingidas pelo problema. Se está lutando contra o racismo, ouça os negros. Se está lutando contra o machismo, ouça as mulheres. Se está lutando contra a homofobia, ouça os homossexuais. Se luta contra a pobreza, ouça os pobres. A fórmula é bastante simples.

Mais frequentemente do que imaginamos, o preconceito e a opressão não são frutos de atitudes intencionais, mas sim da nossa ignorância, de nossas referências preconceituosas e de tudo aquilo que aprendemos errado ao viver em um mundo fundamentalmente desigual – e ninguém está livre disso. Não basta querer não ser racista, é preciso se esforçar para isso. Todos nós vivemos cercados de referências racistas, todos nós temos o racismo dentro e em volta de nós.

A dificuldade de compreender que o racismo é um problema social e não individual nos põe na defensiva quando ouvimos: “você está sendo racista”. Reagimos com tremendo mal estar a esse tipo de acusação porque genuinamente não acreditamos sermos racista – somos do bem! Antes de prontamente nos colocarmos como vítimas, que tal olhar para dentro de nós mesmos e dizer:

– Ops! É verdade, achei um pedaço de racismo aqui! Deixe-me jogá-lo fora.

Pela minha experiência, quando alguém te chama de racista, machista, homofóbico etc, é bom ficar atento, pois geralmente não é sem motivo.

Já passamos da infância e já não acreditamos mais em bem ou mal. Também já não somos mais crianças e sabemos o quanto podemos ser ignorantes.

Ainda nos falta deixar de sermos crianças e não sermos tão teimosos.

 

diegoquinteiro

Meu nome é Diego Moreno Quinteiro, tenho 29 e moro em São Paulo, cidade que amodeio. Gosto de escrever, de colocar vírgulas e de não ligar pra ortografia – então fiz um blog.

 

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