O fim da novela

Vai preso José Genoíno, julgado pela Globo e condenado sem provas.

Vê-se o fim de uma novela, o Escândalo do Mensalão, novo clássico da dramaturgia brasileira, fruto do desejo da Veja, da Globo, da Folha e de toda turma de danificar o projeto de governo que lhes contrariou – ainda que muito menos do que gostaríamos.

Essa novela veio trazer para o povo a sensação de que a justiça funciona, que pela primeira vez não foi impune ser corrupto. Um avanço, não é mesmo? Pela primeira vez, claro, os ditos corruptos não estavam entre os amigos desses poderosos que enfiam o que quiserem na nossa cabeça através da TV, do rádio, dos jornais, das revistas e dos grandes portais online.

Dizem que a mídia é o quarto poder. Eu já acho que é o primeiro.

Que fique gravada na mente de todos a imagem de José Genoíno saindo de seu pequeno sobrado no bairro do Butantã – meu vizinho – de punho cerrado erguido, dizendo que não podem prender sua consciência. Um homem simples de classe média, situação incomum dentre os seus colegas deputados federais.

O julgamento desse homem foi no mínimo controverso. Televisionado em tempo real, com cobertura de dar inveja à dos Jogos Olímpicos. Foi um grande espetáculo. Para quem leu 1984, lembrará dos minutos de ódio à Emmanuel Goldstein, antagonista do Grande Irmão e peça fundamental para a manutenção da perversa ordem. Temos ódio oriundo da injustiça que vivemos, e resta aos poderosos canalizarem esse ódio onde não lhes atinja.

Nunca votei em Genoíno, minhas divergências ideológicas com ele preencheriam muitas páginas deste blog. Não posso, no entanto, me calar frente ao linchamento moral que sofreu, a ponto de não poder sair de casa sem ser hostilizado muito antes de ter tido direito a um julgamento.

Opinião publicada é diferente de opinião pública. A opinião publicada vem da grande mídia e é martelada na mente das pessoas. Já a opinião pública surge do povo, não é plantada. Genoíno foi condenado culpado pela opinião publicada já nas primeiras denúncias do nada santo Roberto Jefferson.

Não se admira que seu julgamento formal fora transformado em uma edição do BBB pela Globo, com direito a paredão com os mensaleiros, à anjo com Joaquim Barbosa e até charges do Mauricio Ricardo. Foi uma forma infalível de pressionar a justiça a deliberar de acordo com seus desmandos. Se Barbosa decidisse absolver os réus por falta de provas – ou melhor, por falta de fatos – teria virado bandido na opinião publicada. Não quis esse fardo, preferiu virar herói do que mártir, e deu um jeito de condenar todo mundo bonitinho como queriam, mesmo que não tivessem como provar, como foi o caso.

É nesse país que vivemos, onde Genoíno vai preso e Maluf está solto. E brindaremos com champanhe o triunfo da justiça brasileira – tim-tim! Ou melhor, plim-plim!

Viva o Brasil!

 

diegoquinteiro

Meu nome é Diego Moreno Quinteiro, tenho 29 e moro em São Paulo, cidade que amodeio. Gosto de escrever, de colocar vírgulas e de não ligar pra ortografia – então fiz um blog.

 

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