Entre a esperança e o retrocesso

A campanha eleitoral deste ano está disputadíssima, com números muito próximos para os candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves. A decisão, muito provavelmente, será voto por voto, com pequenas e individuais medidas de cada um dos simpatizantes de cada um dos lados contando muito.

Por isso, mesmo com críticas até mesmo duras ao governo atual, mas tendo em vista que o projeto do PSDB é muito pior (algumas justificativas mais abaixo, devidamente fundamentadas), posiciono-me abertamente e me empenho em tentar convencer amigos, parentes e conhecidos a votarem pela manutenção de Dilma Rousseff na Presidência da República.

Pois creio que, conforme vou tentar demonstrar abaixo, seguimos numa linha de progresso (ainda que tímido), e o que Aécio e o PSDB propõem pode representar um retrocesso.

Denúncias seletivas de corrupção

Tem rolado pela internet (Facebook, blogs diversos e inúmeras redes sociais) vídeos e imagens tentando desconstruir a imagem de Aécio Neves, que, ao que parece, segue intocado pela mídia. Há relações conhecidas entre Aécio e a família de Zezé Perrella, que teve um helicóptero apreendido com mais de 400 kg de cocaína (link para matéria aqui http://bit.ly/1z562DC). O governo de Minas, na gestão do candidato tucano, teria construído um aeroporto com dinheiro público em terreno particular de sua família (link para matéria aqui http://abr.ai/1vHHo89).

Nenhum dos itens acima tem ganhado destaque na mídia, ao contrário da delação premiada da Petrobrás que, com fatos ainda a serem apurados, são martelados o tempo todo nos noticiários e associados ao PT. Imagine você, que por acaso topa com este texto aí pelo Facebook, se Dilma ou qualquer pessoa do PT é compadre de alguém pego realizando tráfico de drogas… qual você acha que seria o destaque nos jornais? E no caso do aeroporto feito com recursos públicos?

Para que não fique dúvidas, saiba você que até tapioca no valor de oito reais já foi investigado pelos maiores noticiários do nosso país (“crime” associado ao PT), e que José Serra tentou, em 2010, acusar o PT de tê-lo tentado matar com uma letal bolinha de papel atirada por um militante do partido (fez tomografia e ocupou diversos minutos do Jornal Nacional). Não resta dúvidas de que, portanto, nossa grande imprensa tem um lado, e omite denúncias de corrupção contra Aécio Neves, e centra todo o seu fogo apenas em denúncias contra o PT.

Se você, que não gosta de ler os famosos “blogs sujos” para formar sua opinião sobre política (entendendo que eles são tendenciosos em favor do Partido dos Trabalhadores), também não deveria formá-la através da nossa chamada grande imprensa. Ela também escolheu um lado, ainda que diga que não. O que os blogs e redes sociais fazem é tentar mostrar um outro lado, numa luta desigual entre uma grande estrutura de mídia e iniciativas muitas vezes individuais, blogs pequenos e textos como este que você lê agora.

Mas a questão não é essa. Mesmo que Aécio Neves fosse a Madre Teresa de Calcutá (e ele não é), ainda assim me oporia de maneira veemente ao seu projeto de país, às suas ideias em relação à política e à economia. Vamos falar sobre desigualdade social.

Dois projetos de país, dois resultados diferentes

Tomo, por base, este artigo (link http://bit.ly/ZoAN5E) para que se compreenda um pouco melhor a questão. Gostaria de destacar o seguinte trecho:

“Dentro das propostas discutidas no âmbito das eleições presidenciais, vemos de um lado uma ideia de continuidade do processo [de redução das desigualdades]. Por outro lado, pelas questões colocadas como prioritárias pela oposição ao atual governo, percebe-se grande ênfase na redução da inflação e em um ajuste fiscal. Quais seriam, então, os efeitos disso sobre a desigualdade de renda?”

O artigo, muito mais elaboradamente do que eu, sustenta aquilo que é também a minha visão: a política econômica do PSDB é brutal contra a população mais pobre e aumenta as desigualdades sociais. A resposta, para a questão acima, é aumento de juros e contenção de gastos públicos. Vamos ver o que o economista autor do artigo diz sobre isso:

“Um aumento dos juros, historicamente elevados, favorece os ganhos financeiros daqueles que possuem riqueza prévia acumulada, contribuindo para um aumento da concentração de renda. Com o aumento de juros e a consequente necessidade de se pagar mais sobre a dívida pública, o prometido ajuste fiscal deve se dar via corte de gastos da área social.”

Não é difícil perceber, portanto, como essa política econômica é só mais um meio de as parcelas mais privilegiadas continuarem acumulando riqueza. É o processo que aconteceu historicamente no Brasil. Este processo foi interrompido parcialmente nas gestões Lula e Dilma, que colocaram o social como eixo estruturante do desenvolvimento. O que quer dizer: a política econômica tem que ser feita para que se melhore o bem-estar social da população e não o bem-estar social da população estar sujeito aos ajustes fiscais e econômicos! É uma lógica totalmente oposta.

Para não ficar apenas no blablablá, vamos ver um exemplo prático de como isso acontece. Na Europa, as medidas para a contenção da crise foram as que pregam o PSDB, que são as medidas de corte acima mencionadas, as chamadas “medidas de austeridade fiscal”. Vejamos ainda o que diz o economista no artigo acima:

“Temos nos dias de hoje o exemplo claro dos países da Zona do Euro, que recorreram à austeridade fiscal e encontram sérias dificuldades para retomada do crescimento e altíssimas taxas de desemprego.”

Podemos ver hoje uma situação muito difícil na Europa por conta dessas medidas. O desemprego entre os jovens é altíssimo, para ficar apenas num dado. Olhe o que diz esta recente matéria, do dia 8 de outubro:

“O número de desempregados na Europa alcança um patamar recorde, sobretudo entre os jovens, um fenômeno que afeta uma geração inteira que não estuda nem trabalha”. (link http://bit.ly/1w2t74a).

Vemos que se trata de países desenvolvidos, como Espanha, França, Alemanha e Itália. Mesmo estes países foram à lona com a crise internacional e, por conta de suas medidas de austeridade, de cortes na economia, pioraram ainda mais a situação social da população. Os próprios países reconhecem isso, conforme a reunião da cúpula que trata o tema (relatado na matéria):

“Se todo mundo se dedica a aplicar medidas de austeridade, será registrada uma queda maior do crescimento”, advertiu o presidente francês. Hollande quer reavivar o debate sobre a austeridade depois da divulgação dos últimos indicadores econômicos, com resultados desastrosos”.

Em 2008, quando estourou a crise econômica internacional a partir dos Estados Unidos (dita uma das maiores crises da história do capitalismo), o Brasil tomou medidas que são contrárias à “filosofia” econômica pregada pelo PSDB e, como mostra o exemplo acima, pelos países da Zona do Euro. Este link (http://bit.ly/1w2t74a) mostra algumas dessas medidas. Gostaria de destacar dois pontos: política de juros e superávit primário.
Sobre juros, algumas medidas do governo brasileiro em 2008 (retirado do link acima):

“Para atenuar a crise, destacam-se ainda várias ações monetárias e creditícias que contribuíram para aumentar a liquidez na economia, resultando na diminuição da taxa de juros real em 2009, tais como a redução dos depósitos compulsórios do sistema bancário e o aumento da oferta de crédito”.

Economês à parte, o que se quer dizer é: os juros baixaram e a oferta de crédito aumentou. O que isso significa? O dinheiro continuou circulando e a economia continuou a produzir, as empresas continuaram a empregar, as pessoas continuaram a consumir (empresas continuaram vendendo, portanto, mantendo os seus lucros e os empregos). Com menos juros, o impacto é menor na dívida pública e sobra mais dinheiro para o que o povo precisa (educação, saúde etc).

Agora vamos às medidas relativas ao superávit primário. Mas o que é superávit primário? A palavra é horrível, mas quer dizer apenas o que o país economiza para pagar juros da dívida. Vejamos o que o governo Lula fez em 2008 e que está dentro da noção da administração atual, de desenvolvimento econômico com caráter social:

“Quanto à política fiscal, as medidas anticrise decorrentes de redução de tributos e aumentos de despesas governamentais resultaram na redução do superávit primário da União, cuja proporção do PIB caiu de 2,45% para 1,29% de 2008 para 2009”.

Traduzindo aproximadamente o que foi falado acima: o governo não economizou para pagar dívidas; continuou investindo na economia real, que gera empregos, e não fez cortes na área social, que diminui a pobreza. É o contrário do que o PSDB faz: ele aumenta o superávit primário e os juros, retirando recursos da economia real, da produção (que gera empregos), das políticas sociais, dando para os bancos e instituições financeiras.

O resultado? O Brasil foi um dos menos afetados pela crise financeira de 2008, preservando emprego, salários e conquistas sociais. Alguns artigos que comprovam isso (links http://glo.bo/ZoFRao http://bbc.in/1rrahiF).

Ainda que o debate econômico seja complicado, cheio de termos técnicos e de pontos levantados pelos dois lados em disputa, uma coisa é certa: a política econômica proposta pelo PSDB é um meio de concentrar mais riquezas e de privilegiar aqueles que já são privilegiados. É algo que está na contramão do que tem sido feito nos últimos anos, diminuindo desigualdades e aumentando oportunidades. É, portanto, um retrocesso.

O importante é melhorar a vida das pessoas, tornar a nossa existência mais justa e mais humana. A economia, no sentido acima colocado, não pode estar acima do próprio ser humano. Quando se fala em “ajustes fiscais” para salvar a economia, na verdade está se falando em tirar dinheiro da educação, da saúde, da economia produtiva e do bolso do trabalhador, para dar para uma casta muito privilegiada, de gente que se beneficia do mercado financeiro. É isso que está por trás deste discurso.

Por isso é que eu me oponho a ele e apoio a candidatura de Dilma Rousseff.


Por Gabriel Moreno

 

diegoquinteiro

Meu nome é Diego Moreno Quinteiro, tenho 29 e moro em São Paulo, cidade que amodeio. Gosto de escrever, de colocar vírgulas e de não ligar pra ortografia – então fiz um blog.

 

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