Cultura é coisa de vagabundo!

A extinção do Ministério da Cultura não é mero acidente de percurso na gestão Temer, é a representação máxima de sua ideologia.

A ideologia deste conluio que tomou o poder é a ideologia de que o povo é e deve ser uma força produtiva – e nada mais. Cada homem e cada mulher do povo do nosso país, conforme esta ideologia, deve trabalhar o máximo que puder e da forma mais eficiente possível para produzir riquezas e voltar para casa para dormir. Pausas para comer e usar o banheiro devem ser evitadas! É o Taylorismo levado à níveis nacionais: o povo é gado, o povo não deve pensar, não deve decidir, deve apenas trabalhar. E por isso passa, claro, a ideia do povo não precisar de cultura.

De outro lado, a alta classe média e a elite, debruçada sobre trabalhos administrativos e prestação de serviços – trabalhos que desde Aristóteles são considerados privilegiados pois “desgastam menos o corpo” -, terão para si a missão de consumir esses bens sorrindo. Se quiserem cultura, podem sempre assistir um filme americano ou viajar para Disney – do povo brasileiro só precisam da servidão, a cultura não lhes agrada. Vão construir em torno de si muros para se separar do povo e impedi-lo de contestar o poder.

Temer não estava apenas interessado em desviar 0,38% do orçamento destinado à cultura para a especulação financeira. Isso é um desdobramento conveniente, mas não o motivo central do desmonte. O motivo real é a construção de uma sociedade servil que trabalhe de cabeça baixa – e muito, por muito pouco – para alimentar a atrasada, mofada e podre aristocracia brasileira da qual Temer e seus amigos do uísque fazem parte.

É um golpe egoísta, violento e ignorante. A ignorância e o atraso vencem hoje a cultura e o desenvolvimento.

Ah, e sobre isso, só um último detalhe: não vamos deixar.

Nem fodendo.

 

diegoquinteiro

Meu nome é Diego Moreno Quinteiro, tenho 29 e moro em São Paulo, cidade que amodeio. Gosto de escrever, de colocar vírgulas e de não ligar pra ortografia – então fiz um blog.