Comunista que joga videogame

Antes de mais nada, deixemos uma coisa clara: meus textos não são imparciais. No blog onde publico esse texto tem uma foto minha e meu nome no topo. O endereço do blog contém meu nome e sobrenome. Todos os textos aqui são meus e assino em baixo, representam minha opinião e não tenho nenhuma intenção de ser imparcial.

Na vida você é obrigado a tomar partido. Não dá para ser neutro: ficar em cima do muro é uma decisão consciente de apoiar que as coisas não mudem.

Sou de esquerda, socialista, feminista e ateu. É isso que você lerá por aqui, se quiser ler meu blog – esteja sabendo. Não adianta reclamar depois nos comentários.

Também não adianta vir me lembrar que sou homem, branco, de classe média e que tenho um iPhone. Isso eu já sei.

Ser socialista não é ser contra a tecnologia, é querer que ela chegue a todos. A tecnologia não é produto do capitalismo, não se engane. Ela é produto da mente humana e do progresso da ciência. É, inclusive, meu trabalho – sou engenheiro de software – e gosto muito. Mesmo que fosse um produto do capitalismo, bem, eu e você vivemos num mundo capitalista e não podemos evitar consumir seus produtos. Esse consumo não é um voto de que concordamos automaticamente com todas as consequências do sistema – é um tanto ingênuo pensar assim.

Da mesma forma, ser branco não me faz ser cego frente ao racismo que Mandela morreu sem ver o fim. Ser homem não me impede de me indignar com o machismo e a misoginia que permeia nossos dias. Ser heterossexual não me impede de achar absurdo discriminar pessoas por sua orientação sexual.

Para ser contra uma injustiça, a mim basta saber que ela existe. Não há qualquer necessidade de estar na posição de oprimido para ser contra a opressão.

Hipócrita é quem se posiciona politicamente por aquilo que mais o beneficia ao invés de por aquilo que acredita. Deste grupo não faço parte.

Agora, bem, preciso ir: tenho que jogar meu o novo jogo do Mario.

Porque nada incomoda mais do que um comunista que joga videogame.

 

diegoquinteiro

Meu nome é Diego Moreno Quinteiro, tenho 29 e moro em São Paulo, cidade que amodeio. Gosto de escrever, de colocar vírgulas e de não ligar pra ortografia – então fiz um blog.