Adoráveis beagles do Instituto Royal

Cão da raça beagle

O rei leão caça veados e a cobra come o rato. As orcas matam as focas que engolem os peixes. A natureza é cruel! Mas o homem é mais…

Do boizinho na fazenda que come grama, mas vê sempre a cerca e encontra a foice, aos adoráveis cãezinhos beagles do laboratório de testes do Instituto Royal, nenhum desses bichinhos é nossa presa, são todos nossos escravos. Nascem, crescem, se reproduzem e morrem para nos servir. Um ciclo de vida completo voltado a nos alimentar, nos aquecer, nos maquiar e até, por que não, forrar os assentos onde repousamos nossas bundas.

Até agora – sorte nossa! – somos os únicos que aprisionamos, reproduzimos e esmagamos industrialmente a vida de outros animais que nunca conheceram a liberdade.

É a lei do mais forte, podem dizer. Talvez seja mesmo natural que nós, mais fortes, escravizemos os outros animais. Não me surpreende, pois escravizamos até uns aos outros.

O homem branco que escravizou o negro no nosso recente passado não é de natureza diferente da nossa. Ele não nasceu com mais maldade ou menos inteligência do que qualquer pessoa da nossa época. O que lhe fez aceitar a escravidão e o que nos faz repudiá-la, é aquilo que aprendemos, não aquilo que somos.

Somos maleáveis e adaptáveis seres vivos. Somos espetaculares! Vivemos em todas as regiões do mundo: atravessamos desertos, cruzamos os mares e, apenas sessenta anos depois de ganharmos os céus, chegamos à Lua. O ser humano é uma esponja, incrivelmente inteligente, que absorve todo conhecimento que lhe cerca.

Agora estamos aqui, comendo hambúrgueres e pagando dois mil reais a mais para colocar pele de boi nos bancos dos nossos carros. Não aprendemos que isso é errado, então não consideramos errado.

Protágoras, filósofo grego, dizia que “o homem é a medida de todas as coisas”. Para ele, a natureza das coisas é relativa, pois cada homem a enxerga de sua maneira única. Da mesma forma, povos diferentes, em épocas diferentes, terão verdades diferentes. Para nós, hoje, a escravidão dos animais parece estar correta.

Até que alguém chega e nos diz: cara, isso está errado!

Ah… a gente odeia estar errado!

Que raiva que dá dessas petulantes pessoinhas que cruzam nosso caminho para apontar nosso erros! Abusadas! Quem lhes deu esse direito? Prontamente rejeitamos, diminuímos, ofendemos, ridicularizamos e, por vezes, agredimos. Um castelo e um exército prontos para defender nossas verdades imutáveis. Essas verdades fazem parte da nossa identidade e é doloroso romper com nós mesmos. Covardemente, então, atacamos qualquer um que ouse provocar tal ruptura.

Me parece que, enquanto o ser humano é indiscutivelmente ótimo em absorver idéias, ele é proporcionalmente péssimo em descartá-las.

Os animais do Instituto Royal são amáveis, adoráveis, fofinhos e lindos-de-morrer. São cãezinhos que aprendemos a amar, alimentar, afagar, dormir junto e ninar como bebês. Garantem milhares de likes no Instagram, infindáveis páginas no Tumblr.

Nós os amamos e, agora, eles estão na mesma posição que milhões de ratinhos, porquinhos, hominhos, galinhas, boizinhos, peixinhos e toda turma já estiveram: presos, escravos de humanos. Isso nos comoveu.

Depois disso, resta a esperança, algumas pessoas irão olhar para a cena completa e pensar: será que estamos sendo cruéis com outros animais? Com outros homens?

Sim, estamos.

É doloroso estar errado, mas estamos.

Alguns podem pensar: “não sou cruel, sou uma pessoa boa” – mas pessoas boas também erram. Outros podem dizer: “é impossível resolver isso” – mas nossa espécie já provou ser possível o impossível tantas vezes…

Muitos outros ainda vão falar: “eu não posso fazer nada”.

Mas ainda não tentaram.

 

diegoquinteiro

Meu nome é Diego Moreno Quinteiro, tenho 29 e moro em São Paulo, cidade que amodeio. Gosto de escrever, de colocar vírgulas e de não ligar pra ortografia – então fiz um blog.

 

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